De acordo com a pesquisa Kantar Ibope Media, enquanto a emissora "A" teve queda de 9,5% no período, a RICTV acumulou crescimento.

Houve uma época em que tudo que existia na mão do telespectador era o controle remoto. Há uma década, no entanto, os primeiros smartphones não demoraram a disputar o lugar na palma da mão do público. Após rumores de que os veículos de comunicação seriam consumidos pela internet perpetuarem por anos, o período eleitoral vivido pelos brasileiros este ano deixou claro que cada um tem o seu lugar reservado na sala – ou no bolso – do público. Um público, inclusive, que vem tomando decisões mais claras quanto ao tipo de programação que realmente o interessa.

“O momento político e econômico pelo qual o Brasil passa fez as pessoas se interessarem mais em buscar as informações”, afirma a professora de jornalismo Regina Zandomênico. Para a doutoranda na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) em engenharia e gestão do conhecimento na área de mídia, mesmo que a procura por notícias nas redes sociais seja massiva, é constante a necessidade de recorrer à TV para uma abordagem mais profunda. “Em algum momento as pessoas têm que ser abastecidas com essas informações para se manterem informadas”, garante.

A escolha do público não ocorre à toa: é resultado de investimentos, monitoramentos e um extenso trabalho, e reforça o quanto 2018 vem sendo importante para a audiência da RICTV Florianópolis. De acordo com a pesquisa Kantar Ibope Media, enquanto a emissora "A" teve queda de 9,5% de janeiro a onovembro, em relação ao mesmo período do ano anterior, a RICTV acumulou cresciment de 18,8% na Capital. Além disso, foi a única emissora que prosperou na faixa diária das 7h à 0h, com crescimento de 9% em relação ao último mês de outubro.




Informação jornalística de qualidade


A busca primordial na programação televisiva, segundo a professora, é a informação jornalística de qualidade. Os programas locais Cidade Alerta, Balanço Geral, RIC Notícias e SC No Ar, conforme a pesquisa Kantar Ibope Media, figuram com aumentos significativos entre janeiro e novembro de 2018. O primeiro teve 61,89% mais telespectadores do que no mesmo período de 2017, enquanto o Balanço Geral cresceu 40%. O RIC Notícias subiu 30% na audiência, enquanto o matutino SC No Ar teve 22,03% telespectadores a mais. Ao mesmo tempo, tanto o noticiário matinal local quanto o principal jornal de horário de almoço da emissora “A” registraram queda na audiência.

Como explica Renato Meirelles, especialista em consumo e opinião pública e presidente do Instituto de Pesquisa Locomotiva, dois fatores incentivam o aumento do número de pessoas assistindo TV. “O primeiro é a crise econômica. Há mais gente em casa, então há essa ideia de valorizar os valores que a família tem”, afirma. Neste contexto, o jornalismo de serviço também teve grande espaço para crescimento.

Outra questão apontada por Meirelles é o aumento de produtos jornalísticos. “As pessoas buscam um jornalismo isento, fortemente impulsionado pelo processo da eleição”, completa. Conforme Meirelles, a proliferação de fake news estimulou o público a checar a veracidade das informações. “E a TV tem mais credibilidade para isso do que a internet”, afirma.

“Cada veículo tem o seu espaço e vai se reinventando”, destaca Regina Zandomênico. A dita reinvenção foi o que permitiu que programas como o Balanço Geral se tornassem mais interativos e trouxessem o público, juntamente com seus cotidianos e dificuldades, para dentro da tela. “Hoje a TV compartilha muito com as redes sociais, recebe sugestões de pauta pelas redes e usa essa interatividade para chamar o telespectador”, explica a professora. “Cabe ao veículo mostrar o poder que tem diante do montante de conteúdo compartilhado nas redes sociais, confirmando a informação e trazendo o aprofundamento”, explica.

Meirelles lembra que boa parte dos assuntos comentados na internet começa na TV. “Um meio retroalimente o outro”, reconhece. O especialista realça ainda que a repercussão virtual se tornou um complemento do material televisivo. “Programas de TV utilizam a rede como termômetro – seja lendo tweets no ar ou recomendando que o público continue assistindo a matéria na internet”.

De acordo com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), o serviço de TV por assinatura vem apresentando queda de público. Em maio deste ano, havia 17,8 milhões de assinantes – são 4,2% a menos do que os 18,6 milhões de maio de 2017. “Com a crise econômica, as pessoas tiveram que cortar alguns gastos”, justifica a professora Regina Zandomênico. De acordo com ela, existe ainda o público que migrou para a TV aberta conscientemente.

Questionada se a tendência, neste momento pós-eleições, é de que o público se mantenha fiel à busca pelas informações e aos programas, a professora é clara. “Há muita expectativa e o público vai acompanhar as notícias mais ainda. As redes sociais vão comentar, mas a cobertura é dos veículos”, aponta. “As pessoas precisam de subsídios para fazer cobranças”.




Crescimento expressivo de audiência


A preferência dos telespectadores pela TV aberta em Santa Catarina ficou clara com o levantamento do Kantar Ibope Media. Em uma pesquisa que comparou o crescimento da audiência da RICTV Florianópolis de 2017 para 2018, a emissora aparece com resultados positivos em todos os 11 meses computados. Ao mesmo tempo, a emissora “A” registrou queda na audiência em dez dos 11 meses.

“A Record consolidou a sua audiência em nível nacional com grande força no jornalismo, nas novelas e no entretenimento. Isso nos ajuda e nos estimula a melhorar a programação”, destaca o diretor de conteúdo do Grupo RIC, Luís Meneghim. “Todo o esforço feito ao longo desse ano para qualificar o nosso jornalismo e ampliar a nossa presença nas regiões onde temos emissoras ajudou a alavancar a audiência”, garante. O Grupo RIC tem 16 horas por dia de programação local em Santa Catarina – seis delas apenas em Florianópolis.

Meneghim observa que o público brasileiro é conservador e cansou das fórmulas impostas pela liderança da emissora “A”. “O telespectador está migrando porque descobriu que a Record tem jornalismo confiável e entretenimento de qualidade”, afirma. A opção, diz, vem em um momento em que o modelo de televisão feito pela concorrente também é questionado por conta do excesso de temas polêmicos.

A audiência da RICTV Florianópolis, conforme a pesquisa do Kantar Ibope Media, teve seu aumento mais significativo nos últimos quatro meses. Em agosto, os índices subiram 19,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto em setembro tiveram crescimento de 27,9%. No mês seguinte, foram 31,2% mais telespectadores sintonizados na RICTV Florianópolis, enquanto em novembro o número subiu para 36%. Já a emissora “A” teve uma média de -9,5% na queda da audiência ao longo do ano.

Como explica Meneghim, a RICTV não mede esforços para conhecer seus diferentes públicos, que variam de perfil conforme o programa. “Essa estratificação é fundamental para sabermos com quem estamos falando, pois em determinados momentos do dia conversamos com pessoas diferentes”, explica.

Este trabalho é realizado a partir de pesquisas e monitoramento de audiência, que possibilitam a produção de programas com propostas diversas para cada segmento. “Temos a preocupação de estar no dia a dia das pessoas, não temos um jornalismo distanciado”, defende Meneghim.

A integração dos veículos é outro compromisso constante. “Hoje temos o conteúdo feito para a televisão, mas também distribuído para redes sociais, portais da internet e jornal impresso”, explica Meneghim. “Toda essa convergência é importante para dar visibilidade para o nosso conteúdo.”
Ramo publicitário comemora.

A audiência da televisão aberta também é responsável por conquistar o ramo publicitário. “O mercado brasileiro tem números de colocar inveja em qualquer TV aberta do mundo”, diz Daniel Araújo, sócio-fundador e presidente da agência de publicidade D/Araújo. Segundo ele, a televisão continua sendo o meio de comunicação em massa preferido dos anunciantes por ser o mais completo.

O presidente do Sinapro/SC (Sindicato das Agências de Propaganda), Flávio Jacques, acredita que o boom das fake news garantiu à TV mais uma certificação de credibilidade. “Também creio que uma programação com conteúdo local faz muita diferença na audiência e atrai não apenas o espectador, mas também o anunciante”, salienta.

“Os profissionais de mídia das agências sempre torceram para que existisse uma concorrência, pois isso é saudável para o mercado”, diz Jacques. Para o presidente do Sinapro/SC, a variedade de opções acarreta em benefícios para o cliente. “Ter meios mais nivelados traz um diferencial – da questão de preço à possibilidade de alcance que varia do canal ‘A’ para o ‘B’”, explica. “À medida que há a concorrência, você consegue mostrar para o cliente caminhos alternativos”.

O investimento para a chegada da TV digital, garante Araújo, resultou em um dos principais atrativos desse meio. “A RIC também teve uma evolução muito grande quando fez investimentos no seu quadro jornalístico e realmente apostou nisso”, destaca. “A emissora acertou ao trabalhar na sua programação local e ser fiel ao público regional sem abrir mão das grandes programações nacionais”, assegura.