Confira tudo sobre 'Éramos Seis', a nova novela das seis da Globo

Foto: Divulgação Globo.


O afeto que se constrói entre familiares e amigos, os laços tecidos nos relacionamentos ao longo da vida, e a força e o propósito de manter unidas as pessoas que mais ama, mesmo com todas suas diferenças, são questões que permeiam diariamente a vida de Lola (Gloria Pires). A história da família Lemos, retratada ao longo de três décadas — 1920, 1930 e 1940 —, diante dos desafios que a vida impõe e a rede de apoio que se forma ao seu redor para superá-los são o fio condutor de ‘Éramos Seis’. “A novela é sobre os laços que se estabelecem na vida e a importância da solidariedade num contexto que pode ser adverso. É sobre Lola, como ela faz para manter a união e a harmonia familiar. Sobre a força dessa mulher e de sua família, que vive com poucos recursos, mas cercada de amor”, diz Angela Chaves, autora da novela.

Lola e Júlio (Antonio Calloni) vivem dilemas comuns a muitas outras famílias. Desde a frustração de ver os filhos se desentendendo, passando por problemas de saúde de um ente querido e dificuldades financeiras. No entanto, encontram abrigo e ternura, não só com os amigos, mas dentro de casa também. A casa sempre cheia, os vizinhos sempre próximos e momentos de discussões e de delicadeza entre Lola, o marido e as crianças são rotineiros na trama. “É a saga de uma família através do tempo, que acompanhamos por três décadas. Uma trama emocionante justamente porque traz conflitos humanos universais, que podem ser entendidos por todos. Para contar essa história, somos guiados pelo afeto, que conduz a vida”, acrescenta o diretor Carlos Araújo.

‘Éramos Seis’ estreia no dia 30 de setembroremake é a próxima novela das seis, escrita por Angela Chaves, com direção artística de Carlos Araújo, baseada na novela original escrita por Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho, livremente inspiradas no livro de Maria José Dupré.

Além de ser um clássico da literatura brasileira, tendo recebido logo após seu lançamento o prêmio Raul Pompéia da Academia Brasileira de Letras, esta é a quinta vez que o romance é adaptado para a TV. A primeira versão foi em 1958 e a última, escrita por Sílvio de Abreu e Rubens Ewald Filho, em 1994. Antes disso, foi adaptada para o cinema, em 1945, no filme argentino que levou o mesmo nome. No Brasil, destacaram-se como Lola as atrizes Nicette Bruno e Irene Ravache; e como Júlio, Gianfrancesco Guarnieri e Othon Bastos. “Sempre admirei muito este registro, a forma tão real como a autora contextualizou a época, do ponto de vista feminino. Literatura é minha primeira formação e este romance me chama atenção também por sua denúncia social. O texto do Silvio e do Rubens capta essas questões de uma forma muito sensível”, complementou Angela.

A família Lemos

No início do século passado, esperava-se dos homens que fossem provedores, que progredissem no trabalho, fossem bem-sucedidos e capazes de oferecer uma vida boa para esposa e filhos. Das mulheres, esperava-se apoio incondicional ao marido e que mantivessem a casa organizada, além das crianças limpas, saudáveis e educadas. Mesmo quando tudo isso estava sob controle, a vida não era fácil. O telefone era uma raridade. As pessoas se comunicavam por cartas, que demoravam para chegar, e o rádio ainda não existia na casa das pessoas. Embora houvesse pagamento pelo trabalho exercido, não havia direitos trabalhistas estabelecidos. O conforto e o luxo chegavam – para poucos – com o desenvolvimento da indústria, que tardou a acontecer no Brasil.

Lola (Gloria Pires) é casada com Júlio (Antonio Calloni) e eles são pais de Carlos (Xande Valois/ Danilo Mesquita), Alfredo (Pedro Sol/ Nicolas Prattes), Julinho (Davi de Oliveira/ André Luiz Frambach) e Isabel (Maju Lima/ Giullia Buscacio). No início da década de 1920, Lola e Júlio dão um passo maior que a perna ao decidirem comprar uma casa na nobre Avenida Angélica, na zona central de São Paulo. Como não têm o dinheiro para adquirir o imóvel à vista, os dois fazem um financiamento com o banco, que cobra anualmente juros altíssimos.

Dentro desse contexto, Júlio é um típico homem da época. Logo, se cobra e quer oferecer mais à família, sonha ser promovido no trabalho e se incomoda com a alta dívida que possui no banco por conta do financiamento da casa. Apesar das preocupações que carrega diariamente, por vezes, comprometerem sua relação com a família, ele ama profundamente os filhos e a esposa, por quem tem grande admiração. Sua ambição não é desmedida e ela existe porque ele busca se encontrar enquanto homem de sua geração.

Lola, por sua vez, é uma mulher que acredita na vida, entende que quando se tem boa vontade, quando se faz sua parte, o resto acontece naturalmente. Tem esperança na resolução dos desafios que se apresentam, ama o marido e os filhos acima de tudo e tem uma expectativa enorme pelo futuro de cada um deles. Ao mesmo tempo, se questiona frequentemente se está certa ao insistir com Júlio que a casa é um bem do qual não podem e não devem abrir mão. Ele se mostra relutante a cada prestação que paga ao banco e Lola entende que muito do seu comportamento é acirrado por conta disto.

A dificuldade para pagar a casa, contudo, é apenas um dos obstáculos do casal. No início da década de 1920, Júlio começa a apresentar graves problemas de saúde, o que traz custos inesperados. A criação e educação das crianças é outro obstáculo. Os filhos mais velhos, Carlos (Xande Valois/ Danilo Mesquita) e Alfredo (Pedro Sol/ Nicolas Prattes), vivem em pé de guerra, pois enquanto o primeiro é muito correto, ótimo aluno e dá alegrias para o casal, o outro é arteiro, está sempre se envolvendo em confusões com os vizinhos e vai mal na escola. Carlos, como irmão mais velho, tenta corrigir Alfredo, que se incomoda com sua intromissão e apronta ainda mais. Além disso, Júlio tem uma oportunidade concreta de enriquecer com a proposta de sociedade de Assad (Werner Schünemann), mas se vê sem saída para conseguir os 50 mil contos de réis que precisa para selar o acordo e fica mais frustrado ainda.

A Avenida Angélica

Para além dos problemas que a dívida traz, a casa na Avenida Angélica é um local que promove muitos momentos de alegria para Lola (Gloria Pires), família e amigos. Em casa, ela conta com a ajuda de Durvalina (Virgínia Rosa), empregada que é responsável pela comida e por manter os cômodos arrumados, pelo menos a tempo de o patrão chegar do trabalho. Durvalina é companheira de Lola, se preocupa com os gastos, tentando sempre que pode economizar na cozinha.

Na vizinhança, Lola tem outras amizades que a ajudam a superar pequenos percalços do dia a dia, como Genu (Kelzy Ecard), sua vizinha. Sempre atenta a todos os acontecimentos do bairro e seus moradores, ela é esposa de Virgulino (Kiko Mascarenhas) e mantém o marido em rédea curta. Vira e mexe ele chega atrasado em casa. Diz à esposa que faz serão na empresa de telefonia onde trabalha. Mas ela tem certeza que ele está mentindo e vive em busca de alguma pista que o marido possa deixar.

Virgulino, contudo, não tem outra mulher como ela pensa. Nem está na farra deleitando-se com os amigos, bebendo e dançando madrugada afora. Mas está, sim, mentindo para a esposa. Ele é um anarquista e periodicamente organiza reuniões clandestinas com colegas a fim de buscarem maneiras de manifestarem sua indignação. Virgulino não se importa que ela pense que ele está com outra mulher. Prefere isso a colocá-la como cúmplice de suas ações.

Os dois são pais de Lúcio (Arthur Gama/Jhona Burjack) e Lili (Bruna Negendank/ Triz Pariz), amigos dos filhos de Lola e Júlio desde a infância. Embora Genu goste mesmo é de uma fofoca, demonstra um carinho verdadeiro pela matriarca dos Lemos.

Na Avenida Angélica, Lola conta, ainda, com a parceria de Afonso (Cássio Gabus Mendes), dono do armazém, onde, com frequência, compra fiado. Ele é casado com Shirley (Bárbara Reis), uma mulher amargurada por conta de acontecimentos de seu passado. Shirley é mãe de Inês (Gabriella Saraivah/Carol Macedo), criada por Afonso como filha. Carlos é apaixonado pela garota, e se Lola e Afonso acham graça do primeiro romance deles, a mãe de Inês se incomoda e faz o que pode para que não fiquem juntos.

O triângulo: Afonso, Shirley e João Aranha

Shirley (Barbara Reis) morava em Salvador com a mãe quando, ainda bem jovem, engravidou. O pai do bebê é João Aranha (Caco Ciocler), herdeiro da abonada família para a qual a mãe de Shirley trabalhava. Quando se conheceram, os dois se apaixonaram perdidamente e tiveram sua história interrompida ao saberem que seriam pais.

João desapareceu e Shirley entendeu que havia sido abandonada por ele. Por trás de seu sumiço, contudo, estava a mãe do rapaz, que por preconceito por Shirley ser negra e de outra classe social, aproveitou que o filho ficou doente para impossibilitar o contato entre os dois. Disse a ela que ele havia ido embora e a expulsou de sua casa, mesmo grávida.

Shirley foi, então, acolhida por Afonso (Cássio Gabus Mendes), um amigo próximo que virou seu companheiro e assumiu a paternidade de sua filha Inês (Gabriella Saraivah/ Carol Macedo). Juntos, foram para São Paulo e por 13 anos viveram sem precisar lidar com as sombras do passado. Inês ama Afonso e tem com ele uma relação mais afetuosa do que a que estabeleceu com a própria mãe. Por temer que Inês sofra como ela mesma sofreu, Shirley tenta controlar a vida da filha, o que traz muitas discórdias entre as duas.

Embora se entregue de verdade a este relacionamento com Afonso, Shirley carrega ainda muita mágoa por acreditar ter sido abandonada por João Aranha. Ela nunca o esqueceu. É um sentimento que guarda para si, pois não quer de maneira alguma magoar Afonso. Mas quando João reaparece, trazendo consigo uma história diferente da que Shirley conhecia, ela entra em conflito. João diz a Shirley que procurou por ela e pela filha por todo esse tempo e que foi tão vítima do plano de sua mãe quanto ela. Agora, ele quer recuperar o tempo perdido e dar às duas uma vida melhor, ao seu lado. Além de colocar o relacionamento que construiu com Afonso em risco, teme a reação da filha, que não sabe absolutamente nada sobre essa história.

Shirley precisará revisitar seu passado para decidir seu futuro, correndo o risco de magoar duas pessoas por quem tem um afeto ímpar.
                                      
A família de Lola

Além dos amigos da Avenida Angélica, Lola pode contar também com sua mãe, Maria (Denise Weimberg), e suas irmãs, Clotilde (Simone Spoladore) e Olga (Maria Eduarda de Carvalho). As três moram em Itapetininga, no interior de São Paulo, onde vivem juntas também com sua tia Candoca (Camilla Amado), que não teve filhos, mas tem um carinho maternal por ela e suas irmãs.

Maria sustenta a casa com a venda de doces e outros quitutes caseiros desde que ficou viúva. Foi dessa forma que conseguiu criar as filhas. Por ter perdido o marido ainda jovem, aprendeu cedo que a vida pode ser muito difícil. Diferentemente de outras mulheres de sua época, ela não se importa tanto com o que os outros dizem ou pensam. Busca ensinar às filhas o valor das coisas que vêm do coração.

Olga, a irmã mais nova e mais espevitada das três, adora acompanhar a moda através das revistas femininas. É vaidosa, tem o cabelo no corte chanel, uma tendência na época, e gosta de se maquiar. Diz aos quatro ventos que vai se casar com um homem rico e deixar Itapetininga, mas na cidade todos sabem que ela vive de namorico com Zeca (Eduardo Sterblitch), que é apaixonado por ela. Olga implica frequentemente com Clotilde, a irmã do meio, dizendo que ela nunca irá se casar. Tímida e delicada, Clotilde de fato nunca se apaixonou e, por vezes, sem esperança de encontrar um grande amor, acaba dando razão à irmã.

Em São Paulo, os parentes mais próximos de Lola são sua tia Emília (Susana Vieira) e a prima Justina (Julia Stockler). Emília é irmã do pai de Lola, foi casada com um homem riquíssimo, tem um padrão de vida bastante diferente do resto da família. Mas tem seus problemas. Sua filha Justina sofre com um distúrbio mental não diagnosticado pela medicina da época e, sem saber como lidar, Emília opta por mantê-la longe do convívio social, o que acaba limitando seus próprios relacionamentos. Ela é mãe também de Adelaide (Joana de Verona), que desde criança estuda em um colégio interno na Europa, pois a mãe não quis que a vida de Justina lhe afetasse. Embora tia Emília tenha um apreço pela família, mantém-se distante das sobrinhas.

Os romances de Olga e Clotilde

Os destinos de Olga (Maria Eduarda de Carvalho) e Clotilde (Simone Spoladore) têm a chance de mudar quando elas decidem passar algumas semanas na casa de Lola, em São Paulo. Antes de partir, na estação de trem, Zeca (Eduardo Sterblitch) surpreende Olga com um pedido de casamento. Mesmo sonhando ainda em encontrar seu abastado bom partido, ela fica felicíssima com o pedido, pois também é apaixonada por ele.

Clotilde, por sua vez, ao chegar a São Paulo, em uma visita com Olga à loja de tecidos onde trabalha o cunhado Júlio (Antonio Calloni), conhece o melhor amigo dele: Almeida (Ricardo Pereira). Ele se apaixona à primeira vista e ela fica encantada com o fascínio do rapaz. Não demora para que Almeida vá à casa de Lola lhe fazer a corte e pedi-la em namoro. Clotilde, a esta altura também apaixonada, diz sim, contrariando as previsões da irmã mais nova.

Sem perder tempo, Olga encontra uma solução para se casar com um homem rico e também com o amor de sua vida. Em uma visita à casa da tia Emília (Susana Vieira), enxerga a oportunidade perfeita: vai fazer com que Zeca seja “adotado” pela tia como uma pessoa de confiança. Na primeira oportunidade que tem, os apresenta e começa a colocar seu plano em prática.

Já Clotilde, que acredita ter finalmente encontrado o par ideal para se casar, não terá um caminho tão fácil à sua frente. Logo descobre, através do próprio Almeida, que ele foi casado e está em processo de desquite. Por mais que a lei lhe permitisse na época que se separasse, ela não permitia que ele se casasse novamente, nem a Igreja. Como se não bastassem os problemas legais, a sociedade via com maus olhos a separação, tanto para o homem, quanto para a mulher. Clotilde terá, então, que decidir se passa por cima das regras e costumes de sua época, e também dos olhares e comentários da sociedade, para viver sua história de amor.

A loja de tecidos e o cabaré

Júlio passa a maior parte do tempo na loja de tecidos, onde trabalha para Assad (Werner Schünemann). São também funcionários do estabelecimento o amigo Almeida e Elias (Brenno Leone), bem mais jovem que os dois e de família rica. O rapaz, com sua falta de experiência, incomoda mais a Júlio que a Almeida, que percebe a preferência de Assad pelo novato.

Quando Júlio começa a encontrar dificuldade na busca pelos 50 mil contos de réis, após a proposta que Assad lhe faz para uma sociedade, Elias passa a irritá-lo ainda mais, pois ele percebe que Assad e o garoto estão ficando próximos. E Júlio tem razões para desconfiar. A mesma proposta que Assad faz para ele, repete para Elias, que tem nitidamente mais chances de conseguir o dinheiro.

Enquanto isso, Elias recebe, ainda, o apoio de Luci (Lavínia Pannunzio), esposa de Assad, que considera Júlio e sua família pessoas muito aquém de sua classe social. O comportamento de Luci é replicado pela filha, Soraia (Melissa Nóbrega/ Rayssa Bratilliere), que ao encontrar os filhos mais novos de Lola, Julinho (Davi de Oliveira/ André Luiz Frambach) e Isabel (Maju Lima/ Giullia Buscacio), os intima a brincar com ela e os trata com indiferença, proibindo-os até mesmo de encostar em seus brinquedos.

Numa tentativa de desanuviar e aliviar o peso que carrega em sua vida em casa e no trabalho, Júlio frequenta um cabaré na companhia de Almeida. Lá, encontra em Marion (Ellen Rocche) uma amante e também uma confidente para quem confessa suas fraquezas, suas angústias e seus sonhos. Marion entende que nunca terá Júlio para si, como Lola o tem, mas se entrega de corpo e alma ao comerciante.
              
Júlio e a sociedade na loja de tecidos

Júlio (Antonio Calloni) tenta de todas as formas possíveis reunir a quantia necessária para se tornar sócio na loja de tecidos. Pede um empréstimo no banco, tenta obter a quantia com um agiota amigo de Marion (Ellen Rocche), faz Lola (Gloria Pires) se humilhar e pedir o valor à tia Emília (Susana Vieira), e chega a colocar seu fio de esperança num bilhete de loteria.

Ele ainda insiste e Lola é taxativa em negar a possibilidade de venda da casa. Mas, intimamente, ela não está indiferente ao suplício do marido, e sim confusa se está mesmo tomando a decisão certa. Seu apego à casa e à crença de que enquanto estiverem ali serão felizes e completos a impedem de sequer considerar sua venda.  E quando o prazo dado por Assad se aproxima do fim sem que o casal tenha conseguido levantar o dinheiro, um sentimento de culpa invade o coração de Lola, assim como aumenta o desgosto de Júlio pelas escolhas que fez na vida.

Da infância à juventude

Carlos (Xande Valois/ Danilo Mesquita), Alfredo (Pedro Sol/ Nicolas Prattes), Julinho (Davi de Oliveira/ André Luiz Frambach) e Isabel (Maju Lima/ Giullia Buscacio) têm personalidades diferentes e por vezes até mesmo opostas. Mas todos têm um ponto em comum, algo que mantém seus laços fortalecidos, que os mantêm unidos diante de qualquer situação: o amor pelos seus pais. Além do afeto e das vivências que têm em família, a relação com os amigos Lúcio (Arthur Gama/Jhona Burjack), Lili (Bruna Negendank/ Triz Pariz), Inês (Gabriella Saraivah/ Carol Macedo) e Tião (Lipinho Costa) são fundamentais para identificar quem se tornam 10 anos depois, na década de 1930.

Para o diretor artístico, Carlos Araújo, é preciso acompanhar a infância dos filhos de Lola para compreender as tramas da segunda fase da novela. Eles não apenas apresentam parte da história, eles são a história. “A década de 1920 é um momento importante para o espectador, que está conhecendo e criando uma intimidade com a família de Lola”, explica o diretor. “Seremos testemunhas do crescimento daquelas crianças, o que é determinante para entendermos o comportamento deles enquanto adultos”, finaliza.

Quando chegamos à década de 1930, Carlos (Nicolas Prattes) é estudante de medicina, como sonhava quando mais novo; Alfredo — que foi uma criança difícil, sempre trazendo problemas para os pais — e o amigo Lúcio (Jhona Burjack) são jovens idealistas e toda a energia que dispensavam para artimanhas e travessuras na infância passa a ser direcionada para uma forte militância política; Isabel (Giullia Buscacio), que sempre se mostrou decidida, contrariando por vezes as decisões dos pais — algo peculiar para sua época e para sua idade —, se transforma em uma mulher que procura não levar à risca as regras e costumes impostos pela sociedade; e Julinho (André Luiz Frambach), que já mostrava um tino para lidar com números, entra na faculdade de Engenharia.

A eles, unem-se Soraia (Melissa Nóbrega/ Rayssa Bratilliere), filha de Assad; e Adelaide (Joana de Verona), filha de Emília (Susana Vieira), que volta para o Brasil nos anos 1930. Enquanto Soraia continua sentindo-se superior devido à sua classe social, Adelaide, une-se a Alfredo e Tião na luta pelos direitos. Sua luta, contudo, é voltada para os direitos das mulheres. Ela se libertará de padrões de etiqueta, vestimenta e comportamento, e será no país uma importante porta-voz da revolução feminina que já acontecia na Europa anos antes de voltar ao Brasil.
                   

Figurino e caracterização marcam a passagem de tempo


Na primeira fase da novela, enquanto Lola (Gloria Pires) é uma dona de casa sem muita vaidade, que não usa maquiagem, a não ser um batom quando tem um compromisso mais longe de casa, sua irmã Olga (Maria Eduarda de Carvalho) é o oposto. Além de se maquiar diariamente, independentemente de sua programação, tem o corte de cabelo mais badalado da época, o chanel, inspirado na estilista francesa Coco Chanel, um sucesso a partir de 1918. Olga também se preocupa com suas roupas, que são feitas por ela mesma ou pela irmã Lola.

Segundo Labibe Simão, figurinista, as roupas dos anos 1920 são marcadas pelas estampas simétricas e por costuras um pouco mais largas, que não marcam a cintura e não evidenciam a silhueta, evitando que o corpo das mulheres ficasse em evidência. Já a década de 1930 chega mais ousada, com peças mais justas e marcadas, embora ainda com comprimento longo. Nas estampas, cores mais vivas e mais pigmentação. Através dos tecidos, de fibra, mais sintéticos, é possível reconhecer os sinais da industrialização.

A fim de tornar mais verossímil a vestimenta de figurantes e personagens, Labibe pesquisou tecidos e estampas da década de 1920 e, junto à sua equipe, produziu mais de 80% das peças integralmente nos Estúdios Globo. Além de terem o corte exato escolhido pela figurinista, as peças foram desenhadas especificamente com as medidas do elenco, o que ajudou a imprimir um caimento mais natural. Já as peças da década de 1930 foram encontradas em brechós ou no acervo da TV.

Lola terá poucas mudanças no figurino de uma década para outra, já que sua condição financeira não lhe permite ficar mudando o guarda-roupa. Contudo, seus filhos, em particular Isabel (Giullia Buscacio), usarão roupas novas e feitas pela própria mãe. O visual da jovem terá bastante bordado e tricô. 

Emília (Susana Vieira) e Justina (Julia Stockler), por terem uma condição financeira melhor, usam muitas roupas importadas da Europa, onde Adelaide (Joana de Verona) mora. As estampas têm formas assimétricas e mais contraste. Adelaide, quando chega, na década de 1930, já demonstra no modo de vestir como absorveu os ideais feministas que estavam em ebulição na Europa. Ela veste calça e blazer, algo absolutamente incomum no Brasil entre as mulheres daquela época. Ainda assim, é uma personagem feminina e, mesmo para a época, sexy.

Soraia (Melissa Nóbrega/ Rayssa Bratilliere) também é de família abastada, mas, diferentemente de Adelaide, tem uma delicadeza na maneira como se veste. Devido ao fato de o pai ser dono de uma loja de tecidos, Soraia acaba sempre tendo mais opções de roupas e estampas.

Enquanto o visual das mulheres varia bastante de acordo com a personalidade e o poder aquisitivo de cada uma, o figurino dos homens é similar, pois naquela época todos vestiam terno diariamente. Quando com mais dinheiro, ternos mais elegantes, com cortes mais finos. Quando com menos, ternos mais simples, mas ainda acompanhados de calças sociais e gravatas.

Entre os homens, destaca-se João Aranha (Caco Ciocler). É muito rico e quando confronta Afonso (Cássio Gabus Mendes) por querer levar Shirley (Barbara Reis) e Inês (Gabriella Saraivah/ Carol Macedo) embora, a diferença social entre os dois é gritante. O personagem é um marco pela escolha dos contrastes na alfaiataria. E usa acessórios que o destacam, como óculos escuros, prendedor de gravata e relógio de pulso.

Zeca (Eduardo Sterblitch) também se destaca justamente pelo oposto. Por ser um homem do interior, bem "jeca", como diz sua namorada Olga (Maria Eduarda de Carvalho), tem roupas tingidas, com tratamento de lavagem, com um envelhecimento, que apresentam um desgaste.

Almeida (Ricardo Pereira), embora seja vendedor da loja de tecidos como Júlio (Antonio Calloni), se veste melhor e é mais elegante, pois tem menos gastos que o amigo, que sustenta uma casa e os quatro filhos. Júlio tem mais despesas, está sempre de terno, mas não tem o mesmo patamar que Almeida.

Arte e cenografia têm bonde e Avenida Angélica como personagens


‘Éramos Seis’ atravessará três décadas que marcaram a história do país e da cidade de São Paulo: 1920, 1930 e 1940. E, especialmente, por meio de dois personagens especiais, o bonde e a Avenida Angélica, a passagem de tempo será identificada facilmente. No início da trama, os arredores da Avenida Angélica terão uma inspiração bucólica, com direito a carroça e animais. Conforme o tempo passa, o bonde — que estará presente desde o início da trama, tem capacidade para 20 pessoas e anda numa velocidade máxima de 20km/h — ganhará cada vez mais prédios ao seu redor, mostrando a verticalização que a cidade sofreu no início da década de 30. A cidade ganha ainda letreiros com luzes neon no comércio que não para de crescer, além de mais iluminação e cores. O público encontrará, ainda, elementos comuns à época, como os limpadores de trilho do bonde e os funcionários do governo responsáveis por acender e apagar os lampiões.

Naquela época, a arquitetura era eclética, com uma mistura de estilos. Na casa de Lola (Gloria Pires), por exemplo, há uma coluna grega misturada com uma influência renascentista, com alguns detalhes barrocos. Já a casa da tia Emília (Susana Vieira) é inspirada no Palácio de Versalhes, na França. O casarão utilizado nas gravações foi construído em 1922, no bairro Ipiranga, em São Paulo, e chama-se Palácio dos Cedros. É uma das mansões de uma rica família de origem libanesa e foi o primeiro local de gravação da novela.

Enquanto a passagem de tempo fica evidente na cenografia, o trabalho da produção de arte, com elementos que permeiam as décadas, tem pontos em comum entre elas. A cozinha, por exemplo, comandada por Durvalina (Virgínia Rosa) na casa de Lola, terá elementos que marcam bem o início do século passado, de 1920 a 1940. Além de muito material de madeira e cobre, pois não havia aço inox e não se usava alumínio, haverá também utensílios específicos da época como é o caso do balde de flandres e das panelas e louças de ágata. Diferentemente do que se pode imaginar, estes objetos da casa da Lola não vieram de antiquários, mas sim de lojas modernas que vendem produtos vintage.

Ainda na preparação, a produção de arte realizou com o elenco mirim um workshop de brincadeiras que eram comuns na década de 20. Elas aprenderam a jogar bolinha de gude, soltar pipa, brincar de pião, bilboquê e cinco Marias.

Entrevista com a autora Angela Chaves


Como autora titular, Angela Chaves assinou, ao lado de Alessandra Poggi, a supersérie ‘Os Dias Eram Assim’ e, agora, assina ‘Éramos Seis’. Na emissora, desde que começou como roteirista no programa ‘Você Decide’, Angela colaborou em diversas obras, como ‘Celebridade’, de Gilberto Braga; ‘Páginas da Vida’, ‘Viver a Vida’, ‘Em Família’ e ‘Maysa’, de Manoel Carlos; e ‘Rock Story’, de Maria Helena Nascimento. Angela tem mestrado em Literatura e, ao assinar o remake de ‘Éramos Seis’, une suas duas paixões: livros e TV. Ao seu lado, tem os colaboradores Bernardo Guilherme, Juliana Peres e Daisy Chaves.

‘Éramos Seis’ já foi revisitada algumas vezes na TV e também no cinema. Como contar mais uma vez essa história de uma família do início do século passado, quase cem anos depois?
Antes de mais nada, é importante dizer que se trata de uma história atemporal, que traz para o debate conflitos universais. Estamos contando a história de uma família, seus laços e como seus integrantes fazem para se manterem unidos mesmo nos momentos mais difíceis. No fundo, é sobre o que une as pessoas, as relações de amizade, de parentesco e solidariedade.

O que o público pode esperar de diferente nesta versão da obra?
Pode esperar mudanças em relação ao ritmo da narrativa, a novela se torna mais ágil. Mudanças na estrutura dramática, em alguns perfis e no tom da narrativa. A narrativa é mais coesa e mais amarrada. Adaptamos algumas histórias também, como o caso de Shirley e sua família. Além disso, Lola, embora continue sendo uma mulher do seu tempo, está menos submissa, é mais ativa, e não é melancólica. Lola não olha pra trás, olha pra frente e vive a realidade do seu dia a dia.

A novela traz personagens mulheres importantes, a começar pela Lola, passando por Shirley, Justina, Emília e Adelaide. Existe algo em comum entre elas?
É importante ressaltar que o romance foi escrito por uma mulher em 1943, Maria José Dupré, e dá voz a uma personagem feminina, dona Lola. Através da narrativa de dona Lola, do olhar dela sobre a sua vida e de seus entes queridos, vizinhos ou familiares, temos um registro do feminino da época importante. Isto foi captado com sensibilidade na novela do Sílvio de Abreu e Rubens Ewald. As mulheres são a força motriz da história. Cada uma delas tem sua personalidade e sua forma diferente de agir e reagir aos obstáculos que a realidade impõe. Havia regras e costumes mais opressores às mulheres, convenções e barreiras a serem transpostas, cada uma vai lidar com isso à sua maneira. Ao apresentar um olhar sobre o feminino, a novela acaba por trazer à tona debates importantes principalmente sobre a força da mulher e seu papel para manter a família, mesmo diante das adversidades.

Os personagens não são maniqueístas, né? Há muitas camadas. Pode falar sobre isso?
Os problemas e questões que os personagens enfrentam são decorrentes das escolhas que eles mesmos fazem ao longo da vida. Júlio (Antonio Calloni), por exemplo, é um homem que tanto pode fazer uma coisa boa, quanto ruim. Ele ama a Lola, mas é um homem amargurado pelas escolhas que fez. A Emília (Susana Vieira), por um lado é egoísta, mas por outro ama muito as filhas e tem humanidade. O Alfredo (Pedro Sol/ Nicolas Prattes) apronta muito quando criança, vai mal na escola, prejudica os irmãos, dificulta da relação de seus pais. Mas cresce e usa toda essa energia para lutar por algo bom. Dessa forma, temos uma novela em que não há o vilão clássico, nem o mocinho, mas personagens capazes de agir de forma certa ou errada de acordo com as circunstâncias e suas qualidades.

Qual sua expectativa ao recontar essa história?
Eu espero que as pessoas se emocionem com a história de uma família, que se encantem com os erros e acertos de cada um, que torçam para que fiquem felizes, e que reflitam sobre solidariedade. O romance da Maria José Dupré faz uma denúncia social importante. É uma crítica a uma sociedade desigual onde o egoísmo impera, não há muitas chances de mobilidade, os ricos se mantêm ricos e os mais pobres têm poucas chances de conseguirem pagar as contas, oprimidos por inflação e juros. Essa novela fala sobre a importância de as pessoas olharem para o lado, para o outro. Enxergar a dificuldade do outro. Essa preocupação, cuidado e afeto são importantes nos relacionamentos humanos.

Entrevista com o diretor artístico Carlos Araújo


Próximo a completar 30 anos na TV Globo, Carlos Araújo, diretor artístico de ‘Éramos Seis’, começou sua carreira na emissora como assistente de direção em ‘Barriga de Aluguel’. Atuou, ainda, como diretor geral em diversas obras, como ‘Passione’, ‘Explode Coração’, ‘Cheias de Charme’, ‘Belíssima’, ‘Velho Chico’, ‘Meu Pedacinho de Chão’ e ‘I Love Paraisópolis. Mais recentemente, estreou como diretor artístico em ‘Os Dias Eram Assim’, em sua primeira parceria com Angela Chaves. Para o remake, busca imprimir o afeto e a emoção que a autora destaca no texto por meio da fotografia.

As gravações começaram com viagens para São Paulo, Santos e Campinas. Quais as vantagens de visitar e gravar nesses lugares?
Nós procuramos locações que nos trouxessem para a realidade da novela, locais que se relacionassem com a época. Em São Paulo, gravamos em um palácio construído na década de 1920, e nos arredores do Museu do Ipiranga. Em Santos, em uma praia com diversos pontos onde não se via os prédios, e em Campinas, em uma estação de trem com uma Maria Fumaça. Essas experiências nos dão liberdade de marcação de cena, nos trazem uma elegância. Nessas viagens, conseguimos nos aproximar da textura que teremos.

Como construir o remake de uma novela escrita há décadas, contando uma história que se passa há cerca de 100 anos para o público de 2019?
Procurei, junto à equipe, ser fiel à reconstituição de uma novela ambientada nas primeiras décadas do século passado. Muito antes de começarmos a gravar, fizemos uma pesquisa ampla do figurino, caracterização e arte para que pudéssemos começar a construir o nosso mundo, nos colocando na década de 1920, na cidade de São Paulo. Vai ser possível ver a cidade crescendo e essa família, da Lola (Gloria Pires) e do Júlio (Antonio Calloni), se transformando junto com ela. Embora a alma da história se mantenha, para mim tem o sabor de uma novela atual.

Quais ícones daquela época serão percebidos na tela?
O bonde é um dos principais ícones desse período, nós o consideramos um personagem da trama, que estará presente até o final da história. Ele fará parte da narrativa de diversas maneiras, como quando Lola (Gloria Pires) o ouve passar e imagina que seu marido, Júlio (Antonio Calloni), está chegando em casa depois de um longo dia de trabalho. Vai também ver a mudança da cidade à sua volta, com a construção de novos prédios e o aumento do movimento urbano.

A própria Avenida Angélica é um ícone, onde Lola e Júlio moram e são vizinhos de Genu (Kelzy Ecard) e Virgulino (Kiko Mascarenhas); e Afonso (Cássio Gabus Mendes) e Shirley (Barbara Reis). Ela começa a história com poucos casarões, pouco movimento. E na segunda fase, no início da década de 1930, reaparece registrando a verticalização da cidade.

A novela começa nos anos 1920 e termina nos anos 1940. Como serão marcadas essas passagens de tempo?
A fotografia marcará de forma sutil as passagens de tempo. Elas ficarão mais visíveis na evolução da cidade. No início, tudo é mais calmo. Temos o cabaré, o comércio, os carros, mas sempre com menos movimento do que na próxima fase. Além disso, alguns detalhes sutis também farão essa marcação, como os elementos da produção de arte. No início da nossa história, nem rádio existia na casa das pessoas. Quando queriam ouvir música, usavam o gramofone. Telefone era um item raro, que pouquíssimas pessoas possuíam.

A obra tem como pano de fundo momentos importantes da história brasileira. Como eles serão inseridos na trama?
Com a ajuda da nossa pesquisadora, Raquel Couto, reunimos cerca de 10 horas de vídeo bruto gravado entre as décadas de 1920 a 1940. A equipe de efeitos visuais da Globo está realizando um trabalho praticamente artesanal em cima dessas imagens, que, além de serem colorizadas, estão sendo editadas para que tenha a mesma linguagem estética da novela. Entre elas, temos momentos do cotidiano, como o bonde em movimento no Centro de São Paulo e os carros passando nas ruas da cidade, e temos também o registro de momentos históricos, como a chegada do Zeppelin nos anos 1930 e um bombardeio aéreo durante o Levante de 32. Esses elementos não são a história, mas são importantes na construção das tramas que envolvem os personagens.

Falando em música, o que podemos destacar sobre a trilha sonora?
Gravamos parte da trilha original no Abbey Road Studios, em Londres. Teremos ainda gravações de músicas da época cantadas por artistas contemporâneos, como Céu, Fernanda Takai e Tulipa Ruiz. Como diferencial, a trilha conta também com a banda Clusters Sisters, que fará parte do núcleo do cabaré, onde interpretarão músicas atuais, como “Bad Romance” (Lady Gaga), “Lovefool” (Cardigans) e “Bang” (Anitta). A abertura será com uma música original dos produtores musicais, Victor Pozas e Rafael Langoni Smith, e teremos cordas gravadas pela Orquestra Filarmônica de São Petersburgo.

PERFIL DOS PERSONAGENS

 Casa de Lola e Júlio


Lola (Gloria Pires) – É o apelido carinhoso de Eleonora Lemos, que vive para cuidar dos filhos Carlos (Xande Valois/Danilo Mesquita), Alfredo (Pedro Sol/Nicolas Prattes), Julinho (Davi de Oliveira/André Luiz Frambach) e Isabel (Maju Lima/Giullia Buscacio) e do marido Júlio (Antonio Calloni). Esposa e mãe devotada, tem como orgulho da vida a casa onde mora com a família, comprada através de um financiamento. Para ajudar Júlio a pagá-la, Lola se dedica à confecção e venda de peças de tricô.

Júlio (Antonio Calloni) – Marido de Lola (Gloria Pires), é apaixonado pela esposa e por sua família, mas não consegue ter com os filhos Carlos (Xande Valois/Danilo Mesquita), Alfredo (Pedro Sol/Nicolas Prattes), Julinho (Davi de Oliveira/André Luiz Frambach) e Isabel (Maju Lima/Giullia Buscacio) a mesma relação amorosa que a esposa estabeleceu com eles. Vendedor na loja de tecidos de propriedade de Assad (Werner Schünemann), tem a ambição de um dia ser rico como o chefe. Na companhia do amigo Almeida (Ricardo Pereira), frequenta um cabaré onde tem Marion (Ellen Rocche) como amante fixa e confidente para seus conflitos mais íntimos, como a luta para manter em dia a prestação da casa onde mora.

Carlos (Xande Valois/Danilo Mesquita) – Certinho e estudioso, o filho mais velho de Lola (Gloria Pires) e Júlio (Antonio Calloni) sonha ser médico. O adolescente nutre uma paixão por Inês (Gabriella Saraivah/Carol Macedo) e é correspondido. Tem uma relação conflituosa com o irmão Alfredo (Pedro Sol/Nicolas Prattes), mas, ao mesmo tempo, é o filho mais companheiro de Lola e não mede esforços para ajudá-la quando a família enfrenta sérias dificuldades financeiras. 

Alfredo (Pedro Sol/Nicolas Prattes) – O mais bonito e genioso dos filhos de Lola (Gloria Pires) e Júlio (Antonio Calloni) se envolve em confusões o tempo todo e não tem bom desempenho na escola. Além disso, rivaliza com Carlos (Xande Valois/Danilo Mesquita), não se entende com o pai e abusa da paciência da mãe. Mas, apesar da rebeldia nata, tem bom coração e seu idealismo o levará a caminhos surpreendentes na vida adulta.

Julinho (Davi de Oliveira/André Luiz Frambach) – É o filho mais ambicioso de Lola (Gloria Pires) e Júlio (Antonio Calloni). Desde pequeno sonha estudar engenharia e ser rico. Criança travessa, se realiza ao ganhar de presente de sua tia Olga (Maria Eduarda de Carvalho) um cachorro, a quem batiza de Jagunço. Nutre um afeto por Lili (Bruna Negendank/Triz Pariz), filha de Genu (Kelzy Ecard) e Virgulino (Kiko Mascarenhas), com quem convive desde criança. 

Isabel (Maju Lima/Giullia Buscacio) – A caçula de Lola (Gloria Pires) e Júlio (Antonio Calloni) é o xodó do pai, que faz todas as suas vontades. A situação incomoda Lola, que não concorda com o tratamento diferenciado dispensado pelo marido à filha. Divertida, tem o hábito de deixar o vizinho Lúcio (Arthur Gama/Jhona Burjack) desconcertado com seu jeito despojado.

Durvalina (Virgínia Rosa) – Empregada da casa de Lola (Gloria Pires) e Júlio (Antonio Calloni) há anos, ajuda na cozinha e no cuidado com as crianças, pelas quais é adorada. É uma aliada que Lola tem na vida.

Itapetininga


Maria (Denise Weimberg) – A mãe de Lola (Gloria Pires), Clotilde (Simone Spoladore) e Olga (Maria Eduarda de Carvalho) é uma famosa doceira de Itapetininga. Com a venda de seus quitutes caseiros sustentou sozinha as filhas depois que o pai delas morreu. Ela conta com a ajuda de Candoca (Camila Amado), sua irmã mais nova, para entregar os doces que vende por encomenda. Mesmo com uma vida simples, faz o que pode pela felicidade das filhas.

Clotilde (Simone Spoladore) – Irmã do meio de Lola (Gloria Pires) é prestativa, companheira, amorosa com os sobrinhos, mas muito rígida e exigente consigo mesma. Sofre com as piadas que Olga (Maria Eduarda de Carvalho), sua irmã mais nova, faz por não ter se casado. Mas a sina de viver solitária parece ter fim quando ela conhece e se apaixona por Almeida (Ricardo Pereira), vendedor na loja de tecidos e melhor amigo de Júlio (Antonio Calloni). Contudo, logo decepciona-se com a descoberta de que ele é desquitado e que, por conta das leis e costumes da época, não pode se casar com outra mulher.

Olga (Maria Eduarda de Carvalho) – A irmã caçula de Lola (Gloria Pires) e Clotilde (Simone Spoladore) é a mais espevitada e fogosa das três. Diz aos quatro ventos que sonha se casar com um homem rico, da cidade, e desdenha da paixão de Zeca (Eduardo Sterblitch), quase a ponto de desprezá-lo por seu jeito caipira. Mas, no fundo, é apaixonada por ele, e tentará fazer do Zeca o homem rico que sempre sonhou.

Candoca (Camila Amado) – Irmã mais nova de Maria (Denise Weimberg) que não se casou e a ajuda nas encomendas dos doces. É preguiçosa, moralista e faladeira, mas também muito carinhosa com as sobrinhas e uma grande companheira da irmã.

Zeca (Eduardo Sterblitch) – Namorado de Olga (Maria Eduarda de Carvalho) em Itapetininga, é farmacêutico, doce e divertido, mas também meio bronco. É apaixonado por ela a ponto de fazer todas as suas vontades, até mesmo conhecer e conquistar sua tia Emília (Susana Vieira) para ter, quem sabe um dia, a oportunidade de ser rico como ela. Tudo parte do plano de sua amada.

Neves (Breno Nina) – Amigo do Zeca (Eduardo Sterblitch) que, a princípio, se posiciona contra o casamento dele com Olga (Maria Eduarda de Carvalho) por perceber que está prestes a perder o companheiro de farra.

Família Shirley


Shirley (Barbara Reis) – É mãe de Inês (Gabriella Saraivah/Carol Macedo) e vive amargurada por ter sido rejeitada quando estava grávida. Deixou, então, o passado para trás na Bahia e foi para São Paulo recomeçar a vida ao lado de Afonso (Cássio Gabus Mendes), que a acolheu junto com Inês, que considera sua filha. É arredia, às vezes até agressiva, mas tudo devido às situações difíceis que viveu no passado.

Inês (Gabriella Saraivah/ Carol Macedo) – É uma menina linda e muito inteligente. Acredita ser filha de Afonso (Cássio Gabus Mendes) e sentirá muito quando descobrir que não é. Não se dá bem com a mãe e os conflitos se agravam quando, na juventude, se apaixona por Carlos (Xande Valois/ Danilo Mesquita) e Shirley (Barbara Reis) tenta mantê-los afastados, com o intuito de proteger a filha de possíveis decepções.

Afonso (Cássio Gabus Mendes) – Dono de um armazém na Avenida Angélica, acolheu Shirley (Barbara Reis) e Inês (Gabriella Saraivah/ Carol Macedo), que assumiu como sua própria filha. É gentil e caridoso, principalmente com Lola (Gloria Pires), por quem tem um grande afeto. Quando João Aranha (Caco Ciocler) aparece, luta para manter sua família unida e teme a reação de Inês ao descobrir que não é sua filha biológica.

João Aranha (Caco Ciocler) – Pai biológico de Inês (Gabriella Saraivah/ Carol Macedo), tem uma família rica que não aceitou seu namoro com Shirley (Barbara Reis). Assim como ela, foi enganado e, após descobrir, passa anos à sua procura. Não é mau caráter, mas vai fazer de tudo para ter sua família unida quando a encontrar.

Vizinhos de Lola


Genu (Kelzy Ecard) – Esposa de Virgulino (Kiko Mascarenhas), com quem teve Lili (Bruna Negendank/Triz Pariz) e Lúcio (Arthur Gama/Jhona Burjack). Vizinha de Lola (Gloria Pires), é sua amiga leal e também a maior fofoqueira da rua. Desconfiada, chega a seguir os passos do marido que vive fazendo serão, para tentar descobrir se ele tem uma amante.

Virgulino (Kiko Mascarenhas) – O marido de Genu (Kelzy Ecard), pai de Lili (Bruna Negendank/Triz Pariz) e Lúcio (Arthur Gama/Jhona Burjack), trabalha na telefônica e é um sujeito íntegro e politizado. Costuma falar sobre política com o amigo Afonso (Cássio Gabus Mendes), com o filho Lúcio e seu amigo Alfredo (Pedro Sol/Nicolas Prattes). Apesar da desconfiança da esposa, não vai para a farra, nem gosta de beber.

Lúcio (Arthur Gama/Jhona Burjack) – Desde criança, o filho de Virgulino (Kiko Mascarenhas) e Genu (Kelzy Ecard) é o melhor amigo de Alfredo (Pedro Sol/Nicolas Prattes). Nunca é quem tem a ideia das artimanhas, mas é quem sempre está ao lado do filho de Lola quando este apronta. Apesar disso, é um menino honesto e educado. Quando criança, se encanta por Isabel (Maju Lima/Giullia Buscacio). Jovem, vai estudar Direito. Muito politizado, vai lutar por eleições com voto secreto e por uma constituição democrática.

Lili (Bruna Negendank/Triz Pariz) – Irmã de Lúcio (Arthur Gama/Jhona Burjack), é apaixonada por Julinho (Davi de Oliveira/André Luiz Frambach) desde criança. É também amiga de Isabel (Maju Lima/Giullia Buscacio).

Casa tia Emília


Emília (Susana Vieira) – Solitária, é viúva de um homem riquíssimo e irmã do pai de Lola. Tem duas filhas, Justina (Julia Stockler) e Adelaide (Joana de Verona). Enquanto Adelaide estuda desde criança em um colégio interno na Suíça, Justina tem um distúrbio mental, não diagnosticado pela medicina da época, e mora com ela. Sem saber como lidar, e com o intuito de proteger a filha, acaba mantendo-a isolada do convívio social, o que limita também seus relacionamentos. Embora tenha um apreço pela família, mantém-se distante das sobrinhas.

Justina (Julia Stockler) – A filha mais velha de Emília (Susana Vieira) vive em uma espécie de mundo paralelo, alheia a tudo o que acontece ao seu redor. Apesar de não se encaixar nos padrões da sociedade, Justina é uma menina muito carinhosa. Tão carinhosa, que quando sua irmã Adelaide (Joana de Verona) nasce, Emília precisa separá-las para que o carinho exagerado de Justina não machuque a caçula.

Adelaide (Joana de Verona) – Filha mais nova de Emília (Susana Vieira), mora na Europa desde criança. Por lá, torna-se uma jovem moderna, questionadora, de atitude e personalidade fortes. Na volta ao Brasil, inicia um relacionamento explosivo com Alfredo (Pedro Sol/Nicolas Prattes). Está ressentida com a mãe, que a mandou para longe de casa por tanto tempo, e sente ciúmes de Justina (Julia Stockler). Com o passar do tempo, retoma a sintonia com a irmã e interfere na maneira como a mãe lida com seu distúrbio mental.

Higino (Thiago Justino) – O mordomo de Emília (Susana Vieira) é um funcionário leal e dedicado ao cuidado dela e de Justina (Julia Stockler), a quem trata com carinho e atenção, como se fosse sua filha.

Loja de Tecidos


Almeida (Ricardo Pereira) – Melhor amigo de Júlio (Antonio Calloni), com quem trabalha na loja de tecido de Assad (Werner Schünemann). Almeida é um rapaz honesto, mas quando se apaixona por Clotilde (Simone Spoladore) não tem coragem de revelar que é casado. Casou-se jovem e, embora o desquite tenha sido uma decisão de ambos, a esposa dificulta o processo de separação com um pedido de pensão exorbitante. Quando Clotilde descobre, o rejeita.

Assad (Werner Schünemann) – Turco, dono da loja de tecidos, casado com Luci (Lavínia Pannunzio), com quem teve Soraia (Melissa Nóbrega/Rayssa Bratillieri). O que tem de tino comercial, lhe falta em generosidade com seus funcionários. Depois que a primeira mulher morre, casa-se com Karine (Mayana Neiva), mais jovem e interesseira. Está em busca de um sócio para ampliar os negócios.

Elias (Brenno Leone) – Jovem vendedor da loja de Assad (Werner Schünemann), é filho de um amigo da comunidade turca e se torna o funcionário queridinho do comerciante. É uma pedra no sapato de Júlio (Antonio Calloni), que o considera amador e acha que Assad o supervaloriza.

Família Assad


Luci (Lavínia Pannunzio) – Esposa de Assad (Werner Schünemann), é esnobe, frívola e faz todas as vontades da filha Soraia (Melissa Nóbrega/Rayssa Bratillieri). Obriga os filhos de Júlio (Antonio Calloni), funcionário de seu marido na loja de tecidos, a brincar com Soraia.

Soraia (Melissa Nóbrega/Rayssa Bratillieri) – Filha de Assad (Werner Schünemann) e Luci (Lavínia Pannunzio), cresce mimada e fútil como a mãe. Tem uma paixão de infância por Julinho (Davi de Oliveira/André Luiz Frambach).

Cabaré

Marion (Ellen Rocche) – Dançarina, amante e confidente de Júlio (Antonio Calloni) no cabaré frequentado por ele e Almeida (Ricardo Pereira). Apesar da experiência de vida, se ilude na expectativa de que um dia o amado deixe a família e venha ser feliz com ela.

Nely (Caroline Verban) – Dançarina do cabaré.

Alaor (Ramon Francisco) – Garçom do cabaré.

Outros


Tião (Lipinho Costa) – É o líder da turma dos meninos que Alfredo (Pedro Sol/Nicolas Prattes) e Lúcio (Arthur Gama/Jhona Burjack) sonham integrar. Mas o filho de Lola (Gloria Pires) e Júlio (Antonio Calloni) consegue se impor e ganha a confiança de Tião.

Marlene (Walderez de Barros) – A mãe de Júlio (Antonio Calloni) é uma viúva de difícil convivência. Mal-humorada até com o filho, também implica com Lola (Gloria Pires) e passa longe de ser uma avó amorosa com os netos. Contudo, reconhece o valor de Lola na vida de seu filho, e se preocupa quando percebe que o casal passa por dificuldades.

Delegado Gusmões (Stepan Nercessian) – Amigo de longa data de Almeida (Ricardo Pereira), o delegado o ajuda a resolver os problemas com a antiga esposa.

Anos 30

   
Karine (Mayana Neiva) – Segunda mulher de Assad (Werner Schünemann), ainda mais jovem, fútil e prepotente, tem uma relação de interesse com o marido, a quem chama de sultão. Não consegue se entender com a enteada Soraia (Melissa Nóbrega / Raíssa Bratilliere), que desafia sua autoridade. Mas, aos poucos, as duas se aproximam, e Karine a ajuda a conquistar Julinho (Davi de Oliveira/André Luiz Frambach).
   
Felício (Paulo Rocha) – Advogado íntegro, experiente e seguro, será o grande amor de Isabel (Maju Lima/Giullia Buscacio). Seria o genro ideal para Lola (Gloria Pires), se não fosse desquitado.

Amanda (Carla Nunes) – Jovem por quem Carlos (Xande Valois/Danilo Mesquita) se interessa. Belíssima, mas muito tímida. Os dois caminhavam para um romance até que Inês (Gabriella Saraivah/Carol Macedo), grande amor da vida dele, reaparece.

Marcelo (Guilherme Ferraz) – Amigo de Carlos (Xande Valois/Danilo Mesquita), também estudante de medicina. Rapaz de origem humilde, foi adotado por uma família de boa situação financeira. Ficará muito próximo e ganha de vez o carinho de Lola (Gloria Pires) depois que faz e lhe presenteia com uma foto de todos os membros da família.

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