Stênio Garcia foi desligado do quadro de funcionários fixos da Globo em março, após 47 anos de trabalho na emissora. Na época, o ator chegou a ficar em estado de choque com a demissão e recebeu visitas médicas em sua casa. "Eu fiquei sem chão. Nunca tive problemas com a emissora e considerava a Globo como a minha casa", lamenta ele.

Em entrevista para a colunista Fábia Oliveira, do jornal O Dia, Garcia afirma que tem muita consideração pela Globo, mas sofre por ter ficado sem papel nos últimos anos. "Tenho muito amor, respeito e gratidão pela Globo. Mas, desde 2013, eu não era mais chamado para trabalhar", desabafa.

Antes de ter a demissão confirmada, o ator fez um apelo para que os autores de novela o escalassem para algum papel. "Eu era funcionário e eu estava sempre à disposição. Sinceramente, eu não sei por que não me chamaram durante sete anos", diz ele, que tinha um contrato CLT por prazo indeterminado desde 1973.

O ator ainda lamenta que artistas mais velhos estejam sendo cada vez mais esquecidos na dramaturgia. "É um mal cultural do Brasil, infelizmente, e principalmente nesta área pouco necessária que é a cultura. Falo na questão de importância que muitos setores dão para a nosso área", declara.

Stênio foi demitido logo no começo da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) no Brasil e admite que pensa na possibilidade de colocar a emissora na Justiça. "Fiquei perdido. Ainda estou. Tenho que pensar melhor, conversar com a minha mulher [Marilene Saade] e decidir", diz.

Com o isolamento social, o ator tem evitado ao máximo sair de casa. "Só saio no caso de muita necessidade e cercado de segurança, como máscara e álcool em gel", relata.

Segundo ele, seus projetos de trabalho estão todos parados por conta da pandemia, mas já recebeu duas propostas: uma no teatro e outra no cinema. "Fui chamado para interpretar um juiz mau-caráter no filme Obscuro, Um Caminho Sem Volta", conta o veterano. "Me interessou bastante", completa, animado.